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Trump chama pessoas que criticam acordo com o Irã de ‘invejosas, más ou estúpidas’

Trump chama pessoas que criticam acordo com o Irã de ‘invejosas, más ou estúpidas’
Publicado em 18/06/2026 às 9:01

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta quinta-feira (18) como “invejosos, pessoas más ou estúpidos” aqueles que acreditam que o acordo com o Irã inclui concessões demais à República Islâmica.

“Esses tolos, que acham que eu não fui duro o suficiente com o Irã, quando o mercado de ações acaba de atingir um recorde histórico e os preços do petróleo estão despencando, são invejosos, pessoas más ou estúpidos”, escreveu ele em uma publicação na plataforma Truth Social.

Trump tem sido alvo de críticas pelas concessões incluídas no acordo com o Irã, que envolve a suspensão das sanções contra o país persa, além de prever um financiamento de US$ 300 bilhões para a reconstrução do país do Oriente Médio -dinheiro que não deve ser oriundo de fundos americanos, segundo o acordo.

O texto ainda estabelece um prazo de 60 dias para que os países cheguem a um acordo final. O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou a realização das “primeiras negociações” entre as partes nesta sexta, perto da cidade de Lucerna.

“Continua previsto que Estados Unidos e Irã, assim como os mediadores, Paquistão e Qatar, se reunirão amanhã em Bürgenstock para as primeiras negociações sobre a aplicação do acordo”, anunciou o ministério. O encontro já havia sido anunciado na terça e acontecerá em um hotel de luxo na região central do país.

O documento assinado pelos países também prevê o estabelecimento de um novo pacto nuclear referente ao programa iraniano. A agência de energia nuclear da ONU saudou nesta quinta o acordo assinado por Washington e Irã e afirmou que, a partir de então, participará de discussões técnicas para a implementação do acordo.

“É bom que o memorando esteja pronto. Agora começa o trabalho técnico”, disse Rafael Grossi, chefe da AIEA. “Agora cabe a nós sentar com nossos colegas americanos e iranianos e começar a formular medidas concretas que precisarão ser tomadas.”

Ele afirmou que a magnitude do trabalho da AIEA será determinada pelas disposições finais do acordo e que as conversas técnicas buscarão detalhar os princípios gerais. “O fato de mencionarem que isso estará sob a supervisão e o controle da AIEA é muito importante, porque, em nossa conversa, o que faremos é definir o que precisamos ver, a que precisamos ter acesso”, disse Grossi.

Com o anúncio da assinatura do acordo nesta quarta, navios voltaram a se movimentar no estreito de Hormuz. O primeiro navio transportador de gás natural liquefeito (GNL) com bandeira francesa deixou o golfo Pérsico nesta quinta, atravessando o estreito, segundo dados da MarineTraffic.

Além disso, três superpetroleiros com bandeira saudita, transportando seis milhões de barris de petróleo, atravessaram Hormuz também horas depois de Trump ter assinado o acordo com o Irã, conforme mostraram dados de rastreamento de navios.

Outros petroleiros também registraram suas posições atravessando o estreito em sistemas públicos de rastreamento de navios, após semanas em que as embarcações ocultaram suas viagens ao cruzar a hidrovia. As partidas de portos sauditas representaram as maiores movimentações pelo estreito em semanas, de acordo com uma análise da agência Reuters sobre a movimentação de embarcações.

Mesmo com os primeiros passos do acordo de paz já em curso, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ameaçou nesta quinta que o país pode retomar as ações militares e reimpor o bloqueio se o Irã não cumprir seus compromissos previstos no documento.

“O presidente ressaltou que estaremos preparados para retomar as ações se, dentro do cronograma dessas negociações, o Irã não fizer o que diz que fará”, disse Hegseth em Bruxelas, após reunião com ministros da Defesa da Otan. “Se o Irã não cumprir o acordo, então temos plena capacidade de reimpor um bloqueio intransponível.”

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