Esportes
Não é rico versus pobre, mas contra a classe média. E 1,49% é novo 666

Um número obtido por Guilherme Pimenta e Lu Aiko Otta, do jornal Valor Econômico, via Lei de Acesso à Informação, é pornográfico. Contribuintes com rendimento médio entre R$ 750 milhões e R$ 1 bilhão ao ano pagam apenas 1,49% de Imposto de Renda em média.
Quem recebe entre R$ 150 milhões e R$ 350 milhões é mordido com uma alíquota média anual de 1,87%; entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões, 3,88%; entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões, 2,77%; acima de R$ 1 bilhão, 5,54%.
O nosso sistema cobra, proporcionalmente, mais de uma professora que ganha três salários mínimos do que um empresário que recebe mil vezes isso. Projeto apresentado pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad visa a cobrar pelo menos 10% de Imposto de Renda de quem ganha mais de R$ 600 mil por ano. A ideia até considera o que já é pago de imposto pela empresa no cálculo do que será cobrado do acionista.
Isso lembra que super-rico não é você, que faz parte da massa de 212,4 milhões que aprenderam a se virar, mas as 141,4 mil almas que ganham mais de R$ 50 mil mensais. Mesmo assim, muita gente do andar de baixo age como guerreiro do capital alheio e goza com esses números pornográfico de alíquotas baixas para os super-ricos.
Ver o pessoal que se beneficia da isenção de dividendos recebidos de empresas elogiando o atual modelo regressivo faz parte do jogo, é a defesa da própria classe social. O que me deixa intrigado é quem ganha tanto quanto a professora sair em defesa raivosa desse sistema, talvez na esperança que um dia seja ele o beneficiário.
Com a segunda etapa da Reforma Tributária, que trata da reforma do Imposto de Renda, parada, o governo tentou pautar o tema com a proposta de cobrar do andar de cima para isentar quem ganha até R$ 5 mil por mês, ou seja, a classe média – os mais pobres já não pagam esse imposto.



