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Gilmar afirma que pedido de indiciamento de ministros do STF não tem base legal

Gilmar afirma que pedido de indiciamento de ministros do STF não tem base legal
Publicado em 14/04/2026 às 16:22

Ministro do Supremo critica documento que sugere investigação por crimes de responsabilidade contra ele, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet; votação do relatório está prevista para esta terça-feira (14)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou duramente o relatório final da CPI do Crime Organizado apresentado no Senado. Segundo o ministro, o pedido de indiciamento de membros da Corte não possui sustentação jurídica, de acordo com a matéria do G1.

Fonte G1

Em declaração nesta terça-feira (14 de abril de 2026), Gilmar Mendes afirmou: “O pedido do relator da CPI do Crime Organizado, voltado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, nos leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs”.

O ministro ainda classificou o documento como uma estratégia política: “O relatório revela verdadeira cortina de fumaça, ao deixar de enfrentar o grave problema a que se propôs e ao dedicar-se a engrossar a espuma midiática contra o STF, na expectativa de produzir dividendos eleitorais para certos atores políticos”.

O relatório, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), recomenda o indiciamento por crimes de responsabilidade dos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O texto será votado ainda nesta tarde pela comissão, que encerra seus trabalhos.

Gilmar Mendes argumenta que as CPIs extrapolam suas atribuições ao tentar enquadrar decisões judiciais — como a concessão de habeas corpus — como crimes. Para o ministro, tal conduta representa um ataque à independência do Judiciário e pode configurar abuso de autoridade.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) também criticou as conclusões do relatório em relação a Paulo Gonet, classificando-as como “precipitadas e desprovidas de fundamento”. O próprio PGR informou que não se manifestará sobre o assunto.

A CPI do Crime Organizado tinha como objetivo principal investigar a atuação de facções criminosas e milícias no Brasil. No entanto, o relator dedicou parte significativa do documento a apontar supostas irregularidades na atuação de autoridades do Judiciário e do Ministério Público.

Se aprovado pela comissão, o relatório poderá servir de base para pedidos de impeachment contra os citados, que seriam analisados pelo Senado Federal.