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A China assiste à erosão de sua presença na América Latina, perdendo portos, poder e influência na região.

A nova Doutrina Monroe está em pleno vigor. E, pela primeira vez em décadas, a influência chinesa na América Latina está diminuindo.
O projeto do cabo submarino “Chile-China Express” foi suspenso. A Colômbia anunciou tarifas sobre o aço chinês. O México analisa novamente a segurança econômica em relação a Pequim. O Peru negou a entrada de um navio-hospital militar chinês. Honduras pode reestabelecer em breve suas relações com Taiwan.
Em um discurso infame proferido em 2013 na Organização dos Estados Americanos, o então Secretário de Estado John Kerry anunciou o fim da Doutrina Monroe. Em outras palavras, os EUA estavam renunciando à sua liderança hegemônica e deixando as portas abertas para a China, a Rússia e o Irã no Hemisfério Ocidental. Foi um presente de Natal entregue em novembro.
Em 2025, o cenário havia mudado. O presidente Trump não apenas reviveu a doutrina, como também introduziu seu próprio corolário, com o objetivo de reafirmar a liderança americana e conter a influência maligna de potências extracontinentais — em especial, a China comunista.
No início deste mês, o presidente Trump promoveu a “Cúpula do Escudo das Américas” na Flórida. A iniciativa visa trabalhar em conjunto com países que compartilham os mesmos valores para impedir a interferência estrangeira — especialmente a chinesa — no hemisfério, combater gangues e cartéis narcoterroristas e enfrentar a imigração ilegal.
Esta semana, numa demonstração clara de força e cooperação, os EUA anunciaram o exercício “Southern Seas 2026”. A operação enviará o porta-aviões USS Nimitz, acompanhado do destróier de mísseis guiados da classe Arleigh Burke USS Gridley, pela América Latina. Países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru, México, El Salvador, Guatemala e Uruguai participarão de atividades conjuntas, com escalas programadas em portos do Brasil, Chile, Panamá e Jamaica.
Como resultado dessa nova estratégia, o Panamá reforçou seus laços com os Estados Unidos e recuperou a soberania sobre os portos de Balboa e San Cristóbal — instalações que antes eram controladas pela empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong.
Há poucos dias, a China sofreu mais uma dura derrota política. Durante a décima Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), organizada pela Colômbia, Xi Jinping pretendia discursar virtualmente para 33 chefes de Estado das Américas. No entanto, o evento contou com a presença de apenas três presidentes latino-americanos. O fato representou um grande constrangimento, já que a CELAC é vista como a versão chinesa da Organização dos Estados Americanos (OEA), criada pelos Estados Unidos.
No mês passado, a China registrou outra derrota na Cúpula da Comunidade do Caribe. O Secretário de Estado Marco Rubio reafirmou o interesse dos EUA em aprofundar a cooperação com as nações caribenhas, priorizando o combate ao crime organizado, à migração irregular e à promoção da prosperidade e segurança energética. A China foi excluída do fórum.
Recentemente, a Colômbia impôs tarifas de 35% sobre 14 produtos siderúrgicos e metalúrgicos provenientes de países com os quais não mantém acordos comerciais. As autoridades justificam a medida como defesa da produção e dos empregos nacionais, mas ela também sinaliza um claro alinhamento com a política externa americana.
No Chile, a China sofreu novo revés. Um projeto de cabo submarino foi congelado. Os EUA emitiram alertas sobre os riscos do controle chinês sobre dados, considerado uma ameaça à segurança regional. Vistos foram suspensos e autoridades americanas mantiveram conversas diretas com o ex-presidente Gabriel Boric.
Talvez um dos golpes mais significativos tenha sido o cancelamento do projeto da instalação espacial de Cerro Ventarrones. A China, que já possui pelo menos 12 projetos semelhantes na América Latina, não conseguiu avançar no Chile devido à reafirmação da “Doutrina Monroe”. Além disso, o recém-empossado presidente José Antonio Kast assinou uma declaração conjunta com os EUA criando um mecanismo de consulta sobre minerais críticos e terras raras.
O Peru, por sua vez, recusou recentemente a entrada do navio-hospital militar chinês Silk and Road Ark. Em janeiro, os EUA designaram o Peru como importante aliado não pertencente à OTAN, o que representa laços estreitos, confiança mútua e maior facilidade para aquisição de armamentos.
E a Bolívia — que por duas décadas esteve mergulhada no socialismo e na produção de coca — agora integra o Escudo das Américas. Seu novo governo tem prendido traficantes internacionais, apreendido drogas e interrompido a expansão chinesa no setor de zinco.
Apesar desses avanços, a China ainda mantém presença relevante na América Latina, especialmente em infraestruturas críticas como portos, redes elétricas, telecomunicações e estações de monitoramento espacial.Diante desse cenário, os EUA vêm recalibrando sua estratégia, reposicionando peças e ganhando terreno na disputa hemisférica.
Os Estados Unidos e a América estão de volta com força total



