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Choro de Cristiano Ronaldo revive dor que o Brasil conhece bem

Choro de Cristiano Ronaldo revive dor que o Brasil conhece bem
Publicado em 07/07/2026 às 2:57

Poucas imagens traduzem tão bem a essência da Copa do Mundo quanto um craque parado em campo, olhando para o vazio, tentando entender o fim de um sonho. Nesta segunda-feira, 6 de julho, Cristiano Ronaldo viveu exatamente esse momento. Aos 41 anos, deixou o gramado após a derrota de Portugal para a Espanha por 1 a 0, nas oitavas de final, com lágrimas nos olhos e, muito provavelmente, a certeza de que disputou sua última Copa do Mundo.

Nós, brasileiros, sabemos exatamente o peso dessa cena.

Afinal, o futebol brasileiro coleciona imagens semelhantes. Ontem mesmo, domingo, 5 de julho, passamos por isso… Goste ou não de Neymar, foi triste ver o choro de decepção do craque, que participou – oi? – de sua última Copa. No passado, alguns viram Pelé deixar os gramados da Seleção. Choraram com Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká. Sentimos também a dor do Vozinha, um dos gigantes desse mundial! Cada geração precisou aprender que nem mesmo os maiores conseguem vencer o tempo ou controlar o destino de uma Copa do Mundo.

Cristiano Ronaldo entra agora nesse grupo de gigantes que descobriram, da forma mais dolorosa possível, que talento, dedicação e números históricos nem sempre bastam para levantar a taça mais desejada do futebol.

O maior de Portugal também teve um sonho interrompido

Os números impressionam. São 233 partidas pela seleção portuguesa, 146 gols, 46 assistências e participação em seis Copas do Mundo. Nenhum desses feitos, porém, conseguiu transformar o sonho do título mundial em realidade.

Existe uma ironia cruel nessa trajetória.

Durante anos, Cristiano carregou praticamente sozinho uma seleção portuguesa com menos recursos técnicos. Quando Portugal finalmente passou a reunir uma geração talentosa, com jogadores capazes de competir entre as principais potências do planeta, ele já enfrentava outro adversário: o tempo.

Aos 41 anos, ninguém esperava que Cristiano decidisse uma Copa sozinho. Em compensação, muitos imaginavam que o coletivo português faria isso por ele.

Não aconteceu.

Portugal atravessou o torneio sem convencer. O time apresentou pouca organização, alternou escalações, deixou jogadores importantes no banco e jamais encontrou uma identidade capaz de potencializar seus talentos. As escolhas do técnico Roberto Martínez também passaram a ser alvo de críticas, principalmente pela utilização tardia de peças decisivas e pela dificuldade em construir um time consistente.

O peso da responsabilidade

Nesse cenário, Cristiano acabou carregando uma responsabilidade que já não poderia ser apenas dele.

Sua imagem parada no gramado, após o apito final, parecia resumir mais do que uma eliminação. Parecia retratar alguém tentando guardar os últimos segundos de um palco que ajudou a transformar durante duas décadas.

Talvez essa seja a maior crueldade da Copa do Mundo. Ela não premia necessariamente o melhor jogador da história, nem o atleta mais vencedor. Exige que talento individual, geração qualificada, planejamento, momento técnico e até um pouco de sorte caminhem juntos durante poucas semanas.

Com Lionel Messi, tudo se encaixou em 2022. Com Cristiano Ronaldo, esse encontro nunca aconteceu. Mesmo assim, seu legado permanece intacto. As lágrimas desta segunda-feira não diminuem uma carreira construída com disciplina, longevidade e números quase impossíveis de repetir.

Ao contrário. Elas humanizam um jogador que passou anos parecendo inabalável. Mostram que, por trás dos recordes e das comemorações marcantes, existe um homem que também sofre quando percebe que um sonho chega ao fim.

E talvez seja justamente por isso que tantos brasileiros tenham se emocionado ao vê-lo chorar. Porque, independentemente da camisa, nós conhecemos essa dor. Em Copa do Mundo, os maiores heróis também voltam para casa de mãos vazias. E, quando isso acontece, o futebol nos lembra que nem mesmo as lendas conseguem vencer todas as batalhas.