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Cientistas acham batatas congeladas há 500 anos, e aparência surpreende

© Reprodução / Lidio M. Valdez, Katrina J. Bettcher
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Arqueólogos no Peru encontraram duas batatas desidratadas por congelamento, conhecidas como chuño, com cerca de 500 anos, ambas em excelente estado de conservação. A descoberta foi publicada recentemente no Journal of Field Archaeology.
Elas foram encontradas em um sítio inca na região costeira árida de Tambo Viejo, no Vale de Acarí, sudoeste do Peru. O local fica distante das altitudes geladas da Cordilheira dos Andes, onde o chuño é tradicionalmente produzido. Isso indica que o produto era transportado por longas distâncias, provavelmente por caravanas de lhamas, como parte do sistema de suprimentos do império inca.
As duas batatas foram descobertas durante escavações lideradas por Lidio Valdez, arqueólogo peruano da Universidade de Calgary, em 2024. Elas estavam dentro de um recipiente cerâmico usado para armazenamento no piso de uma estrutura do sítio, ainda com partes da casca, forma preservada e cor visível, assemelhando-se surpreendentemente a produtos atuais.
As batatas não estavam “congeladas” como numa geladeira ou freezer. Elas foram desidratadas em congelamento natural por meio de uma técnica ancestral andina que usa o clima extremo das montanhas para transformar as batatas em chuño (produto final desidratado).
As batatas frescas são espalhadas no chão à noite para congelar naturalmente. Durante o dia, o sol forte as descongela. Esse ciclo de congelar e descongelar é repetido por vários dias. Depois, as pessoas pisoteiam as batatas para espremer toda a água que foi liberada. Por fim, elas secam completamente ao sol. A técnica remove mais de 80% da água das batatas e faz com que elas possam durar anos ou décadas sem refrigeração. O resultado é um produto seco, leve, enrugado e muito durável -quase como um “chip” ou alimento desidratado.
O chuño servia como comida prática e estratégica para soldados, trabalhadores e populações em regiões distantes. Sua leveza e durabilidade permitiam o armazenamento em depósitos estatais e o transporte eficiente, ajudando a sustentar a vasta rede logística inca.
Análises químicas futuras poderão revelar exatamente de qual região andina elas vieram. Além de confirmar técnicas avançadas de preservação de alimentos, o achado mostra a capacidade organizacional do império inca para mover suprimentos entre as montanhas e a costa. Como o chuño só pode ser produzido em altas altitudes, encontrar esse alimento na costa é uma prova física de que os incas o transportavam por todo o império.
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