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Irã afirma ter atingido alvos ligados aos EUA, e Bahrein reporta ataque de drone

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Irã afirmou ter atingido alvos ligados às forças dos Estados Unidos neste sábado (27), em resposta a ataques aéreos americanos em sua costa sul ocorridos nesta sexta (26), enquanto ambos os lados continuam a acusar um ao outro de violar o acordo da semana passada, destinado a encerrar a guerra que já dura quatro meses.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã não identificou os locais de seus ataques, que descreveu como ações “defensivas” de resposta aos “ataques aéreos bárbaros” dos EUA contra suas instalações de vigilância costeira -ações que, segundo o país, também violaram a Carta da ONU.
Mais tarde, o Bahrein -que abriga tropas da Marinha dos EUA- condenou o que classificou de um ataque de drone iraniano ao seu território, chamando-o de violação flagrante de sua soberania e ameaça à sua segurança, e acrescentou que se reserva o direito de se defender.
Washington não respondeu de imediato ao relato iraniano sobre o ataque a alvos americanos, uma tática que tem buscado enfraquecer os aliados dos EUA na região durante o conflito.
O Irã ainda acusou os EUA de “violação flagrante” do acordo de paz firmado entre os dois lados há 11 dias. “Esses ataques brutais, que tiveram como alvo instalações iranianas de vigilância costeira, são uma violação flagrante” do memorando de entendimento para encerrar a guerra, declarou o Ministério das Relações Exteriores do Irã em comunicado.
Também neste sábado, um navio-tanque relatou ter sido atingido por um projétil não identificado no estreito de Hormuz, segundo a organização Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. A embarcação sofreu danos na ponte de comando, mas toda a tripulação está em segurança e não há relatos de danos ambientais no momento da notificação, acrescentou o comunicado
Sem citar qualquer caso específico, a TV estatal do Irã afirmou que mais navios buscam autorização iraniana para transitar pelo estreito após embarcações não autorizadas terem sido alvo de tiros de advertência.
O memorando assinado entre EUA e Irã é um documento com 14 pontos que estabelece o fim imediato das operações militares entre os dois países e seus aliados, prevê a reabertura do estreito de Hormuz, a retirada gradual de forças americanas da região e fixa um prazo de até 60 dias para a negociação de um acordo definitivo, que deverá incluir um novo pacto sobre o programa nuclear iraniano.
O texto também prevê a suspensão de sanções contra Teerã, a liberação de ativos iranianos congelados, isenções para exportações de petróleo e um plano de reconstrução do país de ao menos US$ 300 bilhões, financiado por parceiros dos EUA. Em contrapartida, o Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares e aceita negociar o futuro de seu estoque de urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O Exército dos EUA declarou que suas forças atacaram depósitos iranianos de mísseis e drones, além de instalações de radar costeiro, na sexta, em resposta a um ataque iraniano contra um navio cargueiro que transitava pelo estratégico estreito de Hormuz.
Sem dar detalhes, a Guarda Revolucionária do Irã disse ter revidado o ataque americano mirando postos militares dos EUA na região. A nova onda de hostilidades tensiona ainda mais o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho entre os dois países.
O chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano afirmou que a “violação imprudente do cessar-fogo” levará a “recuo e arrependimento” por parte dos EUA. Segundo Ebrahim Azizi, o presidente dos EUA, Donald Trump, não demonstrou nenhum compromisso com os princípios de negociação ou trégua.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, disse que “se o Irã tiver divergências sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, pode pegar o telefone”. Ele reiterou que “a violência será respondida com violência”.
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