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Marine Le Pen poderá concorrer à Presidência, mas com tornozeleira, decide Justiça na França

Marine Le Pen poderá concorrer à Presidência, mas com tornozeleira, decide Justiça na França
Publicado em 07/07/2026 às 17:35

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) – Marine Le Pen, a principal voz da ultradireita francesa, poderá concorrer às eleições presidenciais de 2027, mas com tornozeleira eletrônica. Atual líder das pesquisas de intenção de voto, Le Pen teve recurso parcialmente negado contra uma condenação de peculato nesta terça-feira (7), em Paris.

A dificuldade logística de fazer uma campanha monitorada pela Justiça pode fazer Le Pen ceder a candidatura a Jordan Bardella, presidente e nome mais popular de seu partido, o Reunião Nacional.

O Tribunal de Apelações de Paris determinou três anos de prisão para Le Pen, com sursis de dois anos e uso do dispositivo eletrônico por um ano; também fixou sua inegibilidade por 45 meses, mas com suspensão da pena por 30 meses, deixando um saldo que já foi cumprido; e manteve multa de € 100 mil (R$ 580 mil).

Sua intenção de concorrer pela quarta vez à Presidência depende agora da admissão de uma inusitada circunstância de campanha que prometeu não tolerar.

Le Pen ainda teria a possibilidade de tentar um novo recurso, desta vez para a Corte de Cassação, mas em manifestações anteriores descartou estender o processo. Em 2025, ela foi condenada por ter usado € 1,4 milhão (R$ 8,1 milhões) em recursos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido.

A parlamentar tem agendada uma entrevista na TV na noite europeia. No começo do ano, em depoimento ao Tribunal de Apelações, Le Pen negou ter mantido qualquer tipo de esquema fraudulento, mas admitiu equívocos na gestão de seus assistentes parlamentares. Ela foi eurodeputada de 2004 a 2017.

Espera-se que Le Pen e seus aliados repitam as acusações de ativismo judicial, dado que o veredito influi diretamente no pleito do ano que vem. E, é claro, que a ícone da extrema direita europeia revele se vai ou não se submeter à campanha com a tornezeleira.

Em entrevistas anteriores, afirmou que não o faria: “Quando se é candidato à Presidência, é preciso ter total liberdade de movimento Não posso depender de um juiz para me autorizar a realizar um comício ou ir a um mercado.” Há, no entanto, uma previsão de redução de pena na Justiça francesa em caso de bom comportamento. Na melhor das hipóteses, isso deixaria Le Pen sem a tornozeleira a partir de janeiro.

Se há tempo de liderar uma campanha presidencial é uma das perguntas que será convidada a responder.

Em comunicado publicado logo após o veredito, o Tribunal de Apelaçõe declarou que levou em consideração “a liberdade de escolhe do eleitor”. Ponderou ainda que, “à época dos fatos, [as penas de ineligibilidade] não eram obrigatórias”.

Com uma miríade de candidatos, a eleição, em abril de 2027, marcará o fim da era Emmanuel Macron. Le Pen concorreria pela quarta vez e com uma popularidade muito maior do que teve em 2017 e 2022, quando foi superada apenas por Macron -após dois mandatos, o presidente francês não pode mais disputar o cargo.

“Saudável para a democracia é que o presidente da República não comente decisões judiciais; portanto, vou seguir essa linha de conduta, ainda mais estando no exterior”, disse Macron, em visita à Síria, marcada por explosões em Damasco.

Filha mais jovem de Jean-Marie Le Pen, um negacionista do Holocausto e criador da Frente Nacional, uma reunião de correntes ultranacionalistas francesas em 1972, Marine Le Pen passou os últimos dez anos buscando tornar a legenda palatável para o eleitor médio francês.

No caminho, afastou o pai, rebatizou o partido e, em 2022, mesmo sem chegar à presidência, emplacou uma aliança de extrema direita de 143 deputados na Assembleia Nacional, a maior bancada do atual Parlamento francês.

Bardella, 30, presidente da Reunião Nacional, é a face de maior apelo da sigla. Fluente nas redes sociais, defende as bandeiras típicas da ultradireita europeia, mas encontra tempo para frequentar as colunas sociais. É namorado de uma aristocrata italiana, Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, que também é influencer.

Observadores veem na relação uma tentativa de suavizar a face política de Bardella, em uma espécie de reedição do esforço empreendido por Le Pen na última década.

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