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Ministra indicada por Lula confessa venda de dados para abrir empresa que pagou R$ 700 mil

Dono da ACX ITC admitiu à Polícia Civil ter recebido R$ 5 mil para ceder CPF; firma integra rede investigada por lavagem de dinheiro ligada ao Careca do INSS
O suposto proprietário da empresa que transferiu R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, confessou ser “laranja”. Em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, ele revelou ter vendido seus dados pessoais por R$ 5 mil para a abertura do CNPJ.
A ACX ITC Serviços de Tecnologia aparece no relatório final da CPMI do INSS como parte de uma complexa rede de lavagem de dinheiro associada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Essa estrutura movimentou bilhões de reais e inclui empresas sancionadas pelos Estados Unidos por supostas ligações com o PCC.
No fim de 2024, ainda como advogada, o escritório de Verônica Sterman recebeu os R$ 700 mil em uma única parcela da ACX ITC. O pagamento ocorreu antes de sua nomeação para o STM pelo petista Lula, em setembro de 2025.
Ericsson de Azevedo, 50 anos, morador do Jaçanã, zona norte de São Paulo, é o nome que consta como dono da firma, que declara capital social superior a R$ 100 milhões. Porém, em depoimento prestado em 23 de janeiro de 2026 ao delegado Julio Jesus Encarnação, ele negou ser o real controlador.
Azevedo disse ainda receber R$ 1.000 cada vez que precisava assinar documentos, sempre em dinheiro, e que não sabia do conteúdo nem conhecia as pessoas envolvidas. Ele vive da confecção de pipas, rabiolas e venda de rifas, com renda mensal de cerca de R$ 1 mil.
Conexões com investigações
A ACX ITC integra a Operação Saturno, da Polícia Civil paulista. O relatório policial aponta “fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico” e destaca movimentação de R$ 918,3 milhões. O caso foi encaminhado à Justiça Federal.
A mesma empresa também efetuou pagamentos ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, totalizando R$ 595 mil, conforme relatórios do Coaf enviados à CPMI do INSS.
Procurada pela coluna, a ministra Verônica Sterman afirmou anteriormente que os R$ 700 mil referem-se a três pareceres jurídicos sobre temas criminais. Questionada novamente nesta semana, não houve nova resposta. O espaço permanece aberto. Nefi Cordeiro também reafirmou que os valores foram honorários por serviços prestados



