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Número de mortos em terremotos na Venezuela dobra e vai a 920, diz regime

Número de mortos em terremotos na Venezuela dobra e vai a 920, diz regime
Publicado em 26/06/2026 às 17:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O número de mortos nos terremotos que devastaram a Venezuela na quarta-feira (24) aumentou novamente e agora está em 920, afirmou nesta sexta (26) o regime da líder interina do país, Delcy Rodríguez. Segundo o balanço anterior, desta manhã, o número de feridos chegou a 2.980 -ainda não houve atualização deste número.

O ritmo de atualizações tem sido irregular. Imediatamente após os sismos, por volta das 19h, horário de Brasília, autoridades falaram em 32 mortos. O número só foi revisado na manhã de quinta, para 164 mortos. Na tarde do mesmo dia, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy, disse que eram 188 mortos, valor revisado à noite para 235.

À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas aumente drasticamente. Em comunicado, Delcy disse que o regime está “militarizando” o estado de La Guaira, região costeira que foi a mais atingida pelos sismos, de magnitude 7,2 e 7,5.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manual Albares, disse que três cidadãos espanhóis morreram no desastre natural e outros 99 estão desaparecidos. O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores -o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.

Já a oposição venezuelana compartilhou sites criados espontaneamente para registrar desaparecidos -o número completo seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.

De acordo com dados do governo espanhol, 147 mil cidadãos do país europeu vivem na Venezuela. Albares, no México junto do rei Felipe 6º para reuniões bilaterais, pediu que os espanhóis em território venezuelano de forma temporária, a turismo ou em viagem de negócios, “entrem em contato com os serviços consulares” para registro.

Madri disse ainda que 59 militares, acompanhandos de cães farejadores, já desembarcaram no país caribenho para auxiliar nas buscas. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pretende mobilizar um valor inicial de 1 milhão de euros para apoiar os trabalhar da Cruz Vermelha “para atender as necessidades imediatas do povo irmão da Venezuela”, segundo Albares.

Equipes do Chile, México, El Salvador e Suíça também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o primeiro avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com ajuda humanitária decolaria do aeroporto de Guarulhos na manhã desta sexta.

Serão enviados também membros dos corpos de bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de especialistas da Defesa Civil e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de acordo com comunicado da FAB.
Na quinta, o Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. O governo de Portugal, por sua vez, disse que nove cidadãos morreram e outros 56 estão desaparecidos. Também estão entre os mortos dois cidadãos chineses e um ítalo-venezuelano.

O governo dos EUA disse na quinta que o general Kevin J. Jarrard desembarcou na Venezuela para “supervisionar, planejar e conduzir” operações das Forças Armadas americanas com o objetivo de prestar ajuda humanitária e “salvar vidas”.

O regime venezuelano, comandado por Delcy Rodríguez desde a invasão americana que capturou o ditador deposto Nicolás Maduro, pediu formalmente ajuda de Washington após os terremotos.

Socorristas trabalharam ao longo de toda a madrugada de sexta para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores que disseram que a ajuda oficial tarda a chegar.

“Meu filho de 19 anos está preso embaixo do concreto, e não há máquinas para tirá-lo de lá”, disse Yamileth Jimenez à Reuters na cidade La Guaira, capital do estado homônimo, região mais atingida pelos tremores. Já Suhayl Sarquiz diz ter perdido tudo: “Meu prédio está destruído e não tenho mais nada”, afirma a mulher de 50 anos, que está desempregada.

A moradora Beatriz Rodríguez disse ter perdido um sobrinho, enquanto outro precisou ter as pernas amputadas. O regime venezuelano confirmou que 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas. A ONU estima que 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.

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