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Operação contra líder do governo é desastre eleitoral para Lula

Auxiliares diretos de Lula criticam tentativa do senador de usar o presidente como escudo após operação da PF no Caso Master e já veem cargo ameaçado
A estratégia política adotada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) para estancar a crise gerada pela Polícia Federal não repercutiu bem no núcleo duro do governo federal. Interlocutores do Palácio do Planalto manifestaram forte desaprovação à tentativa do parlamentar de vincular sua permanência na liderança do governo ao apoio direto e irrestrito do petista Lula da Silva.
Alvo de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero — que apura um suposto esquema de propinas e vantagens indevidas pagas pelo banqueiro Daniel Vorcaro —, Wagner deu uma entrevista à imprensa baiana garantindo que seguiria no posto de articulador político do Planalto no Senado e que contava com o respaldo do chefe do Executivo. No entanto, nos bastidores de Brasília, a reação foi de forte incômodo com o movimento.
A insatisfação com a postura de Jaques Wagner expõe uma rachadura interna no momento em que o governo tenta blindar a agenda econômica e a imagem da gestão no Congresso. Integrantes do próprio Partido dos Trabalhadores avaliam reservadamente que associar a figura de Lula às investigações do Caso Master prejudica o discurso ético do governo e municia a oposição, liderada nas redes pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A PF suspeita que o líder governista tenha recebido um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, além de repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada à sua família. Embora Jaques Wagner negue categoricamente qualquer ato ilícito e afirme estar tranquilo quanto à lisura de suas contas, o Planalto teme o desgaste prolongado.



