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Pau nos privilégios une militância de esquerda

A articulação ganhou corpo com o lançamento, no dia 1º de julho, de um plebiscito popular organizado pelos movimentos ligados à esquerda. A iniciativa reúne as centrais sindicais CUT e Força Sindical – que é raro -, além da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, MST, MTST, setores da Igreja Católica e parte da esquerda evangélica.
O plebiscito, que já conta com mais de 3 mil urnas físicas registradas nas ruas, consulta a população sobre dois temas: o fim da escala 6×1 (trabalhar seis dias com folga em apenas um), sem perda salarial e a taxação dos super ricos. A proposta prevê que quem ganha mais de R$ 50 mil por mês pague mais impostos para que quem ganha até R$ 5 mil seja isento.
“O resultado desse plebiscito de fato não significa nada, o que vale é a campanha, o que interessa é ver, pela primeira vez em muito tempo, os movimentos de esquerda numa pauta comum, numa ideia e numa proposta comum”, diz o colunista.
A unificação em torno da pauta tributária conseguiu um feito inédito: pautar a direita nas redes sociais. Segundo levantamento da Palver, o debate começou meio morno na segunda-feira e foi ganhando força. Na quarta, já estava quatro vezes mais volumoso, principalmente pela entrada da direita para criticar o governo. “O fato de o governo ter conseguido levar a direita a discutir um tema que lhe interessa, interessa ao governo, já é um feito”, avalia Toledo.
O presidente Lula abraçou a causa “de corpo e alma”, aparecendo em um evento na Bahia segurando um cartão com um dos motes da campanha. A mobilização envolve não apenas os movimentos populares, mas também partidos como PT, PCdoB, PV, Rede e PDT.
A campanha também conseguiu diminuir os embates internos no governo. Reportagem publicada no UOL durante a semana mostrou que os conflitos entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o ministério da Casa Civil, chefiado por Rui Costa, reduziram em decorrência da unificação de linguagem e tema em torno da pauta tributária.



