Política

Soberania vai prevalecer no Brasil, diz Fachin sobre uso de força militar dos EUA no país

Soberania vai prevalecer no Brasil, diz Fachin sobre uso de força militar dos EUA no país
Publicado em 08/07/2026 às 18:04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Questionado sobre a possibilidade de os Estados Unidos usarem força militar no Brasil, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, disse nesta quarta-feira (8) estar confiante de que a soberania do país vai prevalecer.

“O Brasil é um Estado soberano, e a soberania se exerce com firmeza e serenidade. Nós temos certeza de que isto há de prevalecer, quer aqui na região, quer no concerto global das nações”, se limitou a responder o magistrado.

No início da semana, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que há a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem forças militares no Brasil após a classificação das facções criminosas CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas.

A declaração de Fachin foi dada a jornalistas em cerimônia no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, de instalação da nova estrutura especializada em organização criminosa e lavagem de dinheiro. O presidente do STF se referiu à iniciativa como uma política pública judiciária exemplo do estado de São Paulo que merece ser enaltecida e replicada para todo o Brasil.

A nova estrutura transforma as atuais 1ª e 2ª Varas de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital em 1ª e 2ª Varas Estaduais de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.

Também serão instaladas a 3ª Vara Estadual da mesma especialidade e uma Vara Estadual das Garantias, voltada exclusivamente à fase investigativa desses delitos, além da Vara Estadual Especializada em Crimes contra a Ordem Tributária e Econômica e Crimes em Licitações e Contratos Administrativos.

Fachin também chamou atenção para um novo vetor de preocupação: uso indevido de bets para lavagem de capitais e ressaltou a necessidade de atuação coordenada do Judiciário com outros órgãos.

Ao ser perguntado sobre o tamanho do risco de infiltração do crime organizado nas eleições, o ministro citou a violência política como grande preocupação e disse que a Justiça Eleitoral está preparada para responder, como já fez em outros pleitos.

O evento também contou com a presença do presidente do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), desembargador Francisco Eduardo Loureiro.

A reestruturação no tribunal era uma das prioridades da gestão Loureiro à frente da corte diante do aumento do número de processos envolvendo crime organizado marcados por alta complexidade, múltiplos réus, operações financeiras sofisticadas e investigações de grande porte.

De acordo com o TJ-SP, hoje existem cerca de 2.885 ações penais e inquéritos envolvendo crime organizado e lavagem de bens em tramitação na capital paulista.

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