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Vice do Corinthians pede afastamento em meio a denúncia sobre ‘caso Nike’

Vice do Corinthians pede afastamento em meio a denúncia sobre ‘caso Nike’
Publicado em 09/06/2026 às 12:43

O vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, anunciou nesta segunda-feira que solicitou licença do cargo em meio à denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo no chamado “caso Nike”, que apura supostos desvios de materiais esportivos do clube.

A decisão foi comunicada por meio de uma nota de mais de 20 páginas. No documento, Armando nega ter cometido qualquer irregularidade, contesta os fundamentos da acusação e afirma que optou pelo afastamento em respeito ao Corinthians e à sua família.

A reportagem apurou que a licença foi concedida por 30 dias. O período, porém, não impede um eventual retorno antecipado de Armando ao cargo caso ele decida reassumir suas funções antes do término do afastamento.

Segundo ele, a licença não representa reconhecimento de culpa nem decorre de receio em relação ao andamento das investigações.

O dirigente afirma ainda que continuará se defendendo das acusações e sustenta que jamais se apropriou de materiais pertencentes ao clube.

Armando diz ter “absoluta convicção” de que sua inocência será comprovada ao longo da tramitação do processo.

Contestação à denúncia

Na manifestação, Armando rebate diretamente a denúncia apresentada pelo Ministério Público e as conclusões da auditoria interna realizada pelo Corinthians sobre a distribuição de materiais esportivos.

O dirigente afirma que a narrativa de que teria se apropriado de 131 itens não corresponde aos fatos. Segundo ele, parte dos materiais apontados sequer deixou as dependências do clube, enquanto outros teriam sido destinados a terceiros ligados à administração corintiana.

O vice-presidente licenciado também argumenta que nem o relatório interno produzido pelo Corinthians nem o inquérito policial concluíram pela existência de desvio de materiais praticado por ele.

Ao longo do documento, Armando faz críticas à condução do caso dentro do clube e à divulgação das acusações.

Ele afirma ter solicitado a contratação de uma empresa especializada para realizar uma auditoria técnica sobre o tema, além de defender a realização de uma auditoria contábil. De acordo com o dirigente, os pedidos não foram atendidos pela administração corintiana.

Armando também questiona a divulgação de trechos de conversas privadas relacionados ao caso. Segundo ele, os diálogos teriam sido gravados sem o conhecimento dos participantes e posteriormente divulgados de forma fragmentada.

Contexto da investigação

O caso teve origem em apurações internas realizadas pelo Corinthians sobre a distribuição de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.

O UOL revelou, em outubro de 2025, a existência de uma auditoria interna que apontava inconsistências no controle e na destinação de parte desses materiais. O relatório deu origem a investigações dentro do clube e, posteriormente, passou a integrar as apurações conduzidas pelas autoridades.

Nos meses seguintes, o tema ganhou novos desdobramentos com a análise de documentos, registros de entrega de produtos e depoimentos de pessoas ligadas à administração corintiana.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público ampliou a repercussão do caso ao incluir Armando Mendonça entre os investigados. Desde então, o dirigente tem negado qualquer participação em irregularidades.

Armando pretende seguir na vida política do clube

Na nota, Armando afirma que não pretende abandonar a vida política do Corinthians. Segundo ele, o afastamento temporário tem como objetivo evitar que a crise institucional vivida pelo clube se confunda com sua defesa pessoal durante a tramitação do processo.

A licença ocorre em um momento de forte instabilidade política no Corinthians, que acumula disputas internas entre diferentes grupos de poder e investigações envolvendo integrantes de gestões recentes.

Nas últimas semanas, os ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo foram expulsos do quadro associativo do clube. Já o atual presidente, Osmar Stabile, passou a ser alvo de dois pedidos de impeachment — um deles com o afastamento referendado pela Comissão de Ética do Conselho Deliberativo.

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